Um dos aspectos que acho mais interessante no cinema é a forma como o ator incorpora o personagem ou quando o personagem incorpora o ator. Isso mesmo. Já percebeu como alguns atores mantêm, em todos os seus personagens, uma marca registrada? Não que isso faça com que todos os personagens fiquem todos iguais ou, pelo menos, parecidos, mas eu acredito que isso dá uma autenticidade à produção.

Conveniência São Pedro

Não sei se consegui explicar muito bem o que quero dizer, mas para isso que servem os exemplos. Hoje, trago três filmes do Leonardo DiCaprio que, embora bem diferentes em gênero e produção, trazem características marcantes do ator.

O grande Gatsby

Filmaço, gente! Assisti durante as férias esta produção de 2013 que traz DiCaprio como Jay Gatsby, um milionário boa pinta, aparentemente seguro de si – eis a primeira característica do ator que encontraremos nos três filmes. Um dia, Gatsby dá uma festa na sua mansão e convida e vizinho Nick Carraway (Tobey Maguire) e de lá, sai uma forte amizade e a possibilidade do milionário se reaproximar de sua antiga paixão, a Daisy (Carey Mulligan), prima do Nick. Mas a moça já é casada e, quando o marido suspeita da traição, o circo arma (haha). Lindo filme, fotografia incrível, figurino impecável e a trilha sonora? Gente, que trilha sonora!

Django Livre

Lembra do Tarantino e do Cinema de Exploitation que falamos nas edições passadas? Pois bem, vamos encontrar essas duas características em Django Livre (2012). Django (Jamie Foxx) é um escravo que foi libertado pelo caçador de recompensas alemão Dr. King Schultz (Christoph Waltz) em troca de ajudá-lo a localizar alguns dos crimonosos mais procurados daquela época. Percebendo o êxito nas missões, o faro apurado e a mira certeira de Django, Dr. Schultz resolve ajudar o escravo liberto a resgatar sua esposa e também escrava, Broomhilda (Kerry Washngton). Os dois foram separados quando compradores diferentes os adquiriram. E adivinha quem está com Broomhilda? DiCaprio, que vive o personagem Calvin Candie, dono da propriedade Candyland. Neste filme, DiCaprio também é um milionário poderoso, mas com um plus: é mandão, só faz o que quer e é muito violento. Os caça-recompensas armam um plano para que consigam resgatar a moça sem Candie perceber, mas nem tudo acontece como o planejado. Lembra que eu disse que exploitation envolve muito sangue? Se prepare.

O lobo de Wall Street

De 2013, o filme mostra a trajetória de Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio) corretor que, desempregado, decide juntar uns amigos e fundar uma empresa de fundo de quintal que lida com papéis de baixo valor que não estão na bolsa de valores. O negócio torna-se vantajoso e a empresa cresce freneticamente, fazendo com que o poder e o dinheiro em abundância subam à cabeça de Jordan. Um ponto interessante deste filme é que, diferente dos outros, o protagonista fala diretamente com o expectador. Outra característica do ator sobre o personagem, nos três filmes, aliás, é a clássica levantada de um objeto em sinal de brinde. Note que o enquadramento, a expressão e o gesto do ator se repete nas três produções, fazendo com que o sinal torne-se uma marca registrada de DiCaprio. Em Gatsby, o ator levanta uma taça com espumante; em O lobo, a taça é de vinho e em Django, ele levanta um cigarro com as mãos ensanguentadas, que aliás, não foi uma ação planejada. O ator machucou a mão durante a cena e preferiu continuar a gravação. Profissional é profissional, né não? É um detalhe que elevou o filme.

Jornalista e escritora, 21 anos. Apaixonada pela escrita, filmes de suspense, literatura clássica brasileira e gastronomia. Caçadora e contadora de histórias de segunda a sexta-feira e fotógrafa das coisas bonitas da rotina, aos finais de semana.