Estamos em plena semana das crianças e o tema não poderia ser outro. Até poderia, vai, mas não teria tanta graça. A graça seria menor ainda, se não fosse essa brilhante animação o tema da coluna dessa semana. Vamos conhecer Divertida Mente (Inside Out), a 15ª animação da Pixar.

Não basta sua empresa ser conhecida, ela tem que ser Reconhecida!

De 2015, o filme roteirizado e dirigido por Peter Docter busca mostrar como as emoções funcionam no interior de nossa cabeça. Isso, de forma bem lúdica, através de uma menina de 11 anos que enfrenta o dilema de ter que mudar de cidade com os pais, deixando, assim, os amigos, a escola e sua antiga rotina para trás. A parte lúdica também é evidente na forma que o diretor encontrou para ilustrar o funcionamento da nossa mente na seleção e armazenamento das emoções, que, posteriormente, viram memórias.

Embora a ideia inicial fosse incorporar 27 emoções diferentes ao filme, a equipe optou por apenas 5, para facilitar o entendimento, principalmente, das crianças. Alegria, Tristeza, Nojo, Medo e Raiva são os personagens que comandam o cérebro da menina Riley, e foram inspirados em objetos e feições do dia a dia. Alegria foi concebida como uma estrela, Tristeza, uma lágrima; Raiva, um tijolo; Medo, um nervo exposto; e Nojinho, um brócolis.

A transição de uma cidade a outra, do Estado de Minnesota à cidade de São Francisco, marca também outra fase na vida da personagem principal: a pré-adolescência. De acordo com especialistas, esta etapa da vida representa uma mudança drástica na vida de uma pessoa. Durante a infância, a emoção principal do indivíduo é a alegria (as outras estão presentes e são importantes para moldar o caráter e o comportamento, mas se mostram de forma bem mais sutil). Durante a passagem deste indivíduo da infância para a fase adulta, a tristeza (que envolve muito mais aspectos do que só os sentimentos ruins) passa a interferir no comportamento.

O filme retrata isso ao longo de toda a trama. No início, quem chefia a mente da menina é a Alegria, mas a sucessão de acontecimentos desencadeados pela mudança de cidade faz com que haja uma ‘crise’ na mente de Riley até que o controle seja reestabelecido, desta vez, sob o comando da Tristeza. E, por mais estranho que pareça essa mudança, tenho certeza que você vai assistir este filme e se tornar mais um membro do #TeamTristeza.

No mais, é um filme para todo mundo assistir. Criança, jovem, adulto. Primeiro porque é uma animação, e da Pixar, que já garante coisas lindas, criatividade e piadas ótimas. Segundo, porque o filme tem muito a nos ensinar. Acostumada a criar universos particulares, como o mundo dos brinquedos, em Toy Story, e como é a vida em um aquário, em Procurando Nemo; a Pixar ousou bonito ao dar forma a algo tão impalpável como a mente. Mostrar como as memórias são escolhidas e setorizadas, como são fabricados os sonhos, o que é a depressão e a importância do chorar são um alimento riquíssimo não só para a mente do público infantil, mas também para nós, adultos, termos uma noção poética de como as coisas são.

Jornalista e escritora, 21 anos. Apaixonada pela escrita, filmes de suspense, literatura clássica brasileira e gastronomia. Caçadora e contadora de histórias de segunda a sexta-feira e fotógrafa das coisas bonitas da rotina, aos finais de semana.