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Perfil de uma cabeça humana estilizada composta por pontos de dados digitais azuis e faixas de luz alaranjadas, simbolizando inteligência artificial e processamento de informações. O fundo apresenta uma rede complexa de conexões tecnológicas e luzes desfocadas (bokeh). No canto superior esquerdo, o selo 'MERCADO DE TI' em fundo branco e, no inferior direito, o logotipo do portal Reconhecida com o @ReconhecidaBR.

Tecnologia no Brasil: crescimento recorde acende alerta para dados

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O mercado de TI no Brasil cresceu 18,5% em 2025, mas um alerta se acende sobre o uso estratégico de dados por empresas.

O mercado brasileiro de tecnologia da informação (TI) registrou um notável crescimento de 18,5% em 2025, atingindo US$ 67,8 bilhões em investimentos. Esse avanço, que superou a média global de 14,1%, posiciona o Brasil como o 10º maior mercado de TI do mundo e líder na América Latina, com 38,4% de participação regional. Os dados são de um estudo recente da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) em parceria com a IDC.

O desempenho robusto do setor foi impulsionado principalmente pela intensa digitalização das empresas, pela expansão contínua da computação em nuvem e pela crescente busca por soluções de inteligência artificial (IA). Esses fatores têm demandado investimentos significativos em infraestrutura digital, como data centers e equipamentos de ponta, solidificando a transformação tecnológica no país.

No entanto, apesar do avanço acelerado da tecnologia e dos investimentos, surge um ponto de atenção crucial para as empresas brasileiras. Especialistas indicam que ainda há uma necessidade premente de estruturar e otimizar o uso dos vastos volumes de dados gerados por todos esses investimentos e processos digitalizados.

De acordo com Marcos Silva, diretor de Tecnologia da Falconi, o crescimento da digitalização nem sempre é acompanhado pela evolução adequada dos processos internos. Ele afirma: “A tecnologia avançou, mas a gestão dos processos não acompanhou na mesma velocidade. E quando o processo não está claro, o dado que ele gera dificilmente terá valor estratégico.”

Com o exponencial aumento do volume de informações, as organizações enfrentam o chamado “paradoxo dos dados”. Isso ocorre quando a abundância de dados disponíveis não se traduz em informações úteis para orientar decisões estratégicas. Silva esclarece que, frequentemente, os registros não estão estruturados de forma a responder às necessidades específicas do negócio, o que inviabiliza seu pleno aproveitamento.

O diretor da Falconi reforça a questão, explicando que “o excesso de dados cria uma ilusão de controle. Parece que temos tudo ali, disponível. Mas quando tentamos conectar esses dados à estratégia, percebemos que eles não foram gerados para esse fim.” Este cenário sublinha a importância de uma governança de dados eficaz.

Para o especialista, o principal desafio atual não reside na tecnologia em si, que continua a evoluir rapidamente, mas sim na maneira como ela é empregada pelas empresas. Isso exige a definição de processos claros, o estabelecimento de uma governança de dados robusta e a capacidade de discernir quais informações são verdadeiramente relevantes para os objetivos estratégicos de cada organização.

Marcos Silva conclui que “os dados mostram que o Brasil vive um ciclo consistente de expansão tecnológica, com papel cada vez mais relevante no cenário global. Ao mesmo tempo, a transição para uma fase de maior maturidade indica que o diferencial competitivo tende a migrar do volume de investimentos para a qualidade do uso desses recursos.” A mensagem é clara: investir em tecnologia é fundamental, mas o uso inteligente dos dados é o que definirá os líderes do futuro.

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