Documentário definitivamente não é chato

De acordo com a Agência Nacional de Cinema (Ancine), entre 2009 e 2012, o cinema brasileiro cresceu 20%. Nunca se produziu tantos filmes, mas o destaque fica por conta do gênero que narra a realidade, o gênero documental.

Embora sejam do tipo ame ou odeie, os documentários são muito interessantes e não limitam-se a um universo, a criatividade, aqui, é o carro-chefe e é capaz de emocionar, revoltar e, principalmente, informar o expectador – talvez por isso é o mais exibido nas escolas.

Mas, tirando este estigma de que documentário é sempre chato e dá sono, vamos a algumas sugestões bem interessantes (lembrando que todas estão disponíveis na internet).

Bichas, o documentário

Tudo começou quando o pernambucano Marlon Parente foi ameaçado de morte por andar de mãos dada com um homem na rua. Com esta memória e um orçamento de R$10, ele produziu o documentário Bichas, que leva este nome não no sentido ruim, mas de orgulho. Seis jovens homossexuais relatam tudo o que viveram antes, durante e depois de assumirem sua opção sexual, focando na linda bandeira do empoderamento. Lançado este ano, o documentário está disponível na internet e, desde então, causando repercussão pelo tema, organizado em cronologia dos fatos.

Criança, a alma do negócio

A pergunta central desde documentário é: “qual o benefício que a publicidade dirigida à criança traz para a criança?”. De Estela Renner e Marcos Nisti, o documentário conversa com crianças e familiares de diferentes classes sociais e com especialistas no assunto em busca de respostas. Obesidade, bullying, consumismo e a vulnerabilidade das crianças são pontuadas nesta obra.

Ilha das flores

Este é para pegar bem no fundo do emocional. De forma bem dinâmica, o documentário 1989 faz uma crítica ao consumismo que resulta em uma quantidade absurda de lixo que vai parar (pasmem) num lugar chamado Ilha das Flores. Tudo aquilo que foi jogado fora, ainda por cima, vira alimento e meio de sobrevivência às famílias que moram naquele lugar.

Garapa

Só pra sentir o poder deste filme: ele é dirigido por ninguém menos que José Padilha e Marcos Prado, os criadores de Tropa de Elite. O doc trata da fome crônica no Brasil oferecendo a quem assiste pontos de vista alternativos, já que o assunto é bem delicado. Inicialmente a produção se chamaria Fome mas, a água com açúcar preparada pelos pais para alimentar as crianças, denominada Garapa, deu mais sentido ao documentário como um todo.

Ônibus 174

José Padilha, e sua forma diferente de abordar problemas sociais, entra em questão de novo em Ônibus 174 (2001). O filme relata um episódio marcante do Rio de Janeiro, quando jovem Sandro Barbosa do Nascimento fez reféns dentro de um ônibus, após uma tentativa de roubo mal sucedida, e ficou na mira de policiais e imprensa durante 5 horas. O documentário aborda, utilizando apenas as imagens captadas pelos telejornais, todo o drama daquele dia e ainda mostra recortes da infância e juventude de Sandro que resultaram na personalidade criminosa. Sandro foi um dos sobreviventes da Chacina da Candelária, em 1993; presenciou o assassinato de sua mãe aos 8 anos de idade e, do acontecimento do Ônibus 174, ele saiu morto, asfixiado pelos policiais, após uma suposta tentativa de fuga. Para quem quer outro ponto de vista, este acontecimento também virou filme, com versão ficcional, chama-se ‘Última parada 174’.

Diário de bordo de uma viagem à infância

Nostálgicos de plantão, preparem-se para pirar, porque, para quem não sabe, Mundo da Lua, o programa infantil dos anos 80 e 90, que passava na TV Cultura, virou documentário. Para concluir sua graduação de Rádio e TV na Universidade São Judas, Vinícius Sobrinho e seus amigos decidiram exaltar a importância daquele programa lúdico e educativo para as crianças, entrevistando o criador Flávio de Souza, técnicos e atores, como o próprio Luciana Amaral, o protagonista do programa.

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Sapatilha 43

Posso finalizar promovendo meu peixe? Sapatilha 43 é um documentário, produzido em 2014, por mim e mais três amigos da faculdade e o tema é o preconceito sofrido por homens que dançam. Para derrubar este estigma, entrevistados dançarinos, professores e pais que acreditam que a dança pode (e deve) ser praticada por todos e sem nenhum julgamento.

Tem sugestões de docs de tirar o fôlego? Comenta ai!

Kimberly

Jornalista e escritora, 21 anos. Apaixonada pela escrita, filmes de suspense, literatura clássica brasileira e gastronomia. Caçadora e contadora de histórias de segunda a sexta-feira e fotógrafa das coisas bonitas da rotina, aos finais de semana.

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