[Nacional] Estudo revela que, apesar de novos discursos, mães enfrentam sobrecarga constante, falta de tempo e desafios para manter a saúde emocional.
Apesar da crescente discussão pública sobre o tema, a rotina de mães brasileiras ainda é marcada por desafios estruturais e emocionais severos. É o que aponta a pesquisa “Mulher e Agora Mãe – Volume II”, realizada pelo CineMaterna em parceria com a NOZ Inteligência, que ouviu 1.138 mulheres com filhos de até 2 anos em todo o país.
Os dados revelam um cenário preocupante: os principais obstáculos da maternidade contemporânea não residem apenas nos cuidados práticos com o bebê, mas na complexa dificuldade de equilibrar diferentes papéis sociais e preservar um espaço individual. Esse descompasso evidencia que, embora o debate tenha avançado, as condições reais para vivenciar a maternidade permanecem precárias.
Saúde emocional sob pressão
O estudo destaca que a maternidade é um processo emocionalmente intenso e frequentemente solitário. Segundo a pesquisa, 39% das mulheres se sentem mais ansiosas, enquanto 25% relatam a necessidade constante de acolhimento emocional. Outros 57% das entrevistadas apontam que essa demanda por apoio surge em momentos específicos, reforçando a carência de suporte estruturado.
Sobre o impacto psicológico, a presidente do CineMaterna, Mirian Rodrigues, afirma: “A maternidade é um momento de grande transformação, mas também de vulnerabilidade. Quando não há apoio e acolhimento, essa experiência pode se tornar ainda mais difícil. Nosso objetivo é justamente criar espaços onde essas mulheres possam se reconectar com o mundo e com elas mesmas.”
A invisibilidade da sobrecarga
A falta de tempo para a própria vida, incluindo lazer e autocuidado, é o principal desafio relatado. Cerca de 65% das mães afirmam que raramente ou nunca têm tempo para si mesmas. Além disso, a divisão das tarefas continua concentrada nas mulheres, independentemente da situação laboral: 77% das mães são as principais responsáveis pelo cuidado com os filhos, número que chega a 88% entre aquelas que não trabalham fora.
Para Juliana Vanin, diretora executiva e fundadora da NOZ Inteligência, o diagnóstico é claro: “Os dados mostram que o maior desafio da maternidade hoje não é cuidar do bebê, mas sustentar todas as outras dimensões da vida ao mesmo tempo. Existe um desgaste emocional importante que ainda é pouco reconhecido e pouco apoiado.”
A pesquisa ainda aponta que a experiência impacta profundamente a identidade feminina, com 56% das mulheres declarando mudanças drásticas em quem são após a chegada dos filhos. O estudo, realizado entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, reforça a urgência de uma reflexão coletiva sobre as condições reais em que a maternidade é vivida no Brasil.



