O óleo de fritura usado torna-se um insumo estratégico para a produção de biocombustíveis, impulsionando a economia circular e a sustentabilidade no Brasil.
O óleo de cozinha usado tem se consolidado como um recurso estratégico fundamental para a transição energética global. Considerado uma matéria-prima de grande valor, o resíduo desempenha agora um papel crucial na fabricação de biocombustíveis de segunda geração, como o biodiesel, o bioquerosene e o diesel verde.
A prática de reaproveitar o resíduo evita o descarte incorreto e minimiza danos ambientais. Segundo Vitor Dalcin, diretor da Ambiental Santos, o material deixa de ser um passivo ambiental para se transformar em um ativo energético de alta relevância para a indústria.
O óleo vegetal usado entra nesse contexto como uma matéria-prima avançada, feita a partir de resíduos. Em vez de ser descartado, ele é reaproveitado para fornecer insumo de qualidade para biocombustíveis, explica o executivo.
O setor utiliza o termo feedstock avançado para classificar matérias-primas derivadas de resíduos. Diferente de insumos tradicionais, essa fonte não compete com a cadeia alimentar, sendo gerada em larga escala por restaurantes e indústrias. Com essa tecnologia, o país caminha para metas de descarbonização mais eficientes.
Estima-se que o Brasil utilize entre 3 e 5 bilhões de litros de óleo anualmente, embora apenas uma pequena parte seja reciclada. Com o crescimento da demanda por alternativas como o SAF (combustível sustentável de aviação), o reaproveitamento deste material promete ser um dos pilares da economia verde nos próximos anos.



