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Close-up das mãos de duas pessoas entregando e recebendo uma Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) azul brasileira sobre uma mesa branca. No canto superior esquerdo, o selo 'EMPREGO EM ALTA' em fundo azul e, no inferior direito, o logotipo do portal Reconhecida com o @ReconhecidaBR.

Emprego em alta no Brasil, mas falta de profissionais qualificados trava o crescimento

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[Brasil] O país registra menor desemprego em uma década, mas dificuldade em encontrar talentos específicos cria paradoxo no mercado de trabalho, afetando empresas e profissionais.

O mercado de trabalho brasileiro em 2026 apresenta um cenário contraditório: a taxa de desemprego atingiu 5,2%, o menor índice desde 2012, e o país acumula um recorde histórico com mais de 49 milhões de vínculos formais ativos. Apesar dos números positivos, as empresas enfrentam uma dificuldade sem precedentes para encontrar os profissionais de que necessitam, um problema que está freando o desenvolvimento do país.

Mais de 70% das organizações brasileiras relatam sérias dificuldades na contratação. A questão não é a falta de candidatos, mas sim a escassez dos profissionais com o perfil técnico e comportamental adequado às demandas atuais. Setores como tecnologia, dados e inteligência artificial têm acelerado seu crescimento, exigindo competências específicas que a capacidade de formação atual não consegue suprir em volume suficiente.

O especialista Fred Torrës, sócio sênior do Grupo Hub, consultoria de recrutamento e seleção, aponta que o profissional mais cobiçado em 2026 é o chamado híbrido. Este perfil combina domínio técnico com habilidades interpessoais, transita entre tecnologia e liderança, compreende a análise de dados e é capaz de formar e engajar equipes. No entanto, a busca por esses talentos esbarra em outra contradição: muitas empresas não estão dispostas ou aptas a remunerar adequadamente por essas qualificações.

O Guia Salarial 2026 da Michael Page revela que a proporção de empresas que não planejam conceder aumentos reais nos salários saltou de 30% para 45% em apenas um ano. Apenas 20% das empresas pretendem oferecer reajustes acima da inflação, enquanto 59% dos profissionais relatam não ter recebido qualquer aumento no último ano. Essa prática de disputar talentos escassos sem oferecer remuneração competitiva resulta em processos seletivos prolongados, desistências e dificuldades em fechar vagas, sendo uma consequência direta de uma estratégia desalinhada.

Liderança: Um Gargalo Subestimado

Além da questão salarial, um problema mais profundo e ainda pouco reconhecido emerge como um dos principais gargalos: a própria liderança. Dados recentes do Great Place to Work indicam um aumento significativo na incerteza entre líderes, que subiu de 16% em 2019 para 35,4% em 2026. Paralelamente, a competência mais valorizada tem mudado de empatia para a entrega de resultados, refletindo um ambiente corporativo de maior pressão.

Com um cenário de juros elevados, instabilidade externa e uma cobrança crescente por eficiência, as empresas têm exigido mais de seus líderes, muitas vezes sem o devido preparo. O resultado é um ciclo vicioso: lideranças sobrecarregadas, equipes desmotivadas, aumento da rotatividade de funcionários e uma dificuldade ainda maior para atrair e reter talentos. Líderes despreparados podem atrasar contratações, afastar bons profissionais e tomar decisões equivocadas sobre os perfis e as necessidades das equipes.

A Velocidade das Mudanças e a Falta de Preparo

Um terceiro fator complexifica o cenário: a rápida obsolescência das competências exigidas. Metade das empresas brasileiras ainda não utiliza inteligência artificial de forma estruturada, e a maioria das que o fazem encontra-se em estágios iniciais de implementação. O gargalo principal, nesse contexto, não é tecnológico, mas humano: falta capacidade para aplicar essas ferramentas de maneira estratégica e gerar resultados concretos.

A busca por profissionais prontos no mercado torna-se cara e, em muitos casos, inviável, pois os perfis ideais ainda não existem em escala. A alternativa mais sustentável seria o desenvolvimento de talentos internamente, mas poucas empresas investem consistentemente nessa prática de forma estruturada e mensurável. Essa falta de investimento em formação contínua perpetua o descompasso entre as habilidades disponíveis e as exigidas pelo mercado.

O paradoxo que Fred Torrës descreve é claro: o Brasil gera empregos, mas falha em posicionar o profissional certo no lugar certo. Além disso, as empresas demonstram pouca disposição para investir adequadamente na formação e retenção desses talentos. Enquanto o mercado formal se expande e a competição por mão de obra qualificada se intensifica, as práticas de atração, desenvolvimento e retenção permanecem desatualizadas.

Em suma, a dificuldade em contratar não se deve apenas à falta de recursos, mas principalmente a uma questão de prioridade e visão estratégica. Profissionais qualificados não aparecem espontaneamente; eles são formados, desenvolvidos e mantidos com intenção e consistência. Até que essa compreensão se consolide, as empresas continuarão a enfrentar barreiras significativas na contratação e retenção de talentos, atribuindo a dificuldade a fatores externos, quando muitas vezes a raiz do problema reside em suas próprias práticas e prioridades estratégicas.

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