Especialistas do SESI-SP revelam caminhos para formar leitores na era digital. Saiba como conectar informação e prazer na leitura.
Em um mundo cada vez mais dominado pelo fluxo incessante de informações digitais, a criação do hábito da leitura se torna um desafio significativo. A cada ano, a celebração do Dia Mundial do Livro, em 23 de abril, serve como um lembrete da importância de cultivar essa prática, que vai muito além das salas de aula.
Especialistas apontam que o problema não reside na falta de interesse, mas sim na ausência de uma conexão genuína com o ato de ler. O objetivo é construir experiências de leitura que se integrem à rotina e ao repertório dos estudantes, independentemente da idade.
A leitura é mais do que uma tarefa escolar; é uma competência fundamental que molda a maneira como interpretamos o mundo, organizamos nossos pensamentos e interagimos com a realidade. Ludmylla Pereira, bibliotecária e analista de educação da Faculdade SESI de Educação, destaca que essa habilidade é estruturante.
“Quem lê consegue identificar com facilidade aquilo que busca nesse mar de informações que vivemos”, afirma Ludmylla. Nesse contexto, a leitura não é uma rival da internet, mas sim uma aliada poderosa para navegar com mais autonomia e senso crítico.
A relação com a leitura, frequentemente, é marcada por experiências escolares focadas na obrigatoriedade. Tamires Monteiro, docente da Faculdade SESI de Educação e doutora em Desenvolvimento Humano, explica que esse fator pode ter um impacto direto na formação do hábito.
“Ler para uma prova é diferente de ler por prazer. Quanto mais experiências significativas com a leitura, mais esse hábito se fortalece”, detalha Tamires. Para os estudantes universitários, a leitura muitas vezes se alinha às demandas acadêmicas, em meio a rotinas intensas de graduação.
Giovanna Rinco, estudante de Ciências da Natureza, compartilha que a dinâmica dos estudos influenciou seu processo de leitura. “Mudou um pouco devido à demanda de trabalhos e atividades que tive que fazer”, relata. O cenário evidencia que, embora a leitura esteja presente no cotidiano acadêmico, o desafio é expandir sua presença para além das exigências formais, reconhecendo-a como uma prática cultural e pessoal.
A formação de leitores pode começar nos primeiros meses de vida, mesmo antes da compreensão da linguagem. A familiaridade com os livros nessa fase inicial está mais ligada à construção de vínculo e à curiosidade. Tamires observa esse processo desde a primeira infância, relatando a experiência com sua própria filha, que teve contato com livros desde cedo e já demonstra interesse pelo objeto.
O período entre três e sete anos é considerado estratégico para o desenvolvimento, marcado pela imaginação e pelo interesse por narrativas. Contudo, a especialista reforça que não há limite de idade para desenvolver o hábito da leitura. A constância e a qualidade das experiências ao longo do tempo são os fatores determinantes.
A criação do hábito não exige mudanças drásticas; pequenos ajustes na rotina podem fazer a diferença. Reservar alguns minutos diários, reduzir o tempo em redes sociais e escolher leituras de interesse pessoal são estratégias eficazes. “Nem que sejam duas ou três páginas por dia”, sugere Tamires.
A consistência ao longo do tempo tende a aumentar não só o volume de leitura, mas também o interesse por novos gêneros e formatos. Ludmylla ressalta a importância da identificação com o conteúdo. “Pode ser quadrinhos, romance, suspense. O importante é começar por aquilo que desperta interesse”, destaca.
A diversidade de gêneros e linguagens amplia as possibilidades de acesso e ajuda a quebrar a ideia de que existe um único tipo de leitura válida. Na formação universitária, a leitura transcende a obrigação, atuando como ferramenta para o desenvolvimento crítico e a ampliação do repertório.
Rebeca Santos, outra estudante de Ciências da Natureza, mantém o hábito desde a infância, enfatizando a importância de leituras mais aprofundadas. “Sinto que elas me ajudam a entender melhor o contexto e a desenvolver um pensamento mais crítico”, afirma. Giovanna Rinco complementa, “Acredito que a leitura é um movimento transformador e transportador. Ler não ensina só conteúdos, ensina caminhos”.
Apesar dos desafios, como a adaptação à linguagem acadêmica, ambas as estudantes reforçam que o contato contínuo com diferentes textos contribui significativamente para a formação pessoal e profissional. A criação de leitores eficazes depende de contexto, acesso e identificação, visando formar indivíduos que vejam a leitura como parte integrante de suas vidas, impactando positivamente seu aprendizado e desenvolvimento.
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