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Close de uma Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) azul em destaque sobre uma mesa. Ao fundo, uma mão segura uma caneta para assinar documentos em um ambiente que sugere um feirão de empregos ou posto de atendimento. No canto superior esquerdo, o selo 'EMPREGOS EM RISCO' em fundo branco e, no inferior direito, o logotipo do portal Reconhecida com o @ReconhecidaBR.

Mercado de trabalho brasileiro enfrenta desafio com jovens em funções extintas

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[São Paulo] Recorde de emprego no Brasil esconde crise estrutural: jovens estão concentrados em funções vulneráveis à automação e inteligência artificial.

O Brasil encerrou o ano de 2025 com indicadores positivos, registrando a menor taxa de desemprego da série histórica iniciada em 2012, atingindo 5,1% segundo dados do IBGE. Com 103 milhões de pessoas ocupadas e o rendimento médio em alta, o cenário parece otimista à primeira vista. No entanto, uma análise mais profunda revela um desafio preocupante para as novas gerações: a concentração de jovens em funções que estão sob risco iminente de extinção.

Pesquisas do FGV IBRE indicam que metade dos jovens entre 18 e 24 anos ocupa cargos de baixa complexidade, como auxiliares de limpeza, caixas e operadores de telemarketing. Esses postos, caracterizados pela alta rotatividade e remuneração abaixo da média nacional, são os primeiros a sofrer o impacto da aceleração tecnológica e da inteligência artificial.

Segundo Rodrigo Dib, superintendente institucional do CIEE, o mercado de trabalho vive um fenômeno onde o ‘degrau’ de entrada das carreiras está sendo removido. O conceito de learning by doing, ou aprender fazendo, está ameaçado, pois as funções que historicamente serviam como escola para jovens profissionais estão sendo automatizadas mais rapidamente do que novas vagas qualificadas são criadas.

O impacto é sentido de forma severa. Dados citados pelo Goldman Sachs revelam que a substituição tecnológica afeta desproporcionalmente trabalhadores na faixa dos 20 anos. O perigo é a chamada ‘cicatriz de carreira’, onde o profissional leva anos para recuperar sua trajetória salarial após ser deslocado pela tecnologia.

O cenário torna-se ainda mais crítico ao considerar o envelhecimento populacional do Brasil. Com a taxa de fecundidade em declínio, o país depende da solidez das trajetórias profissionais dos jovens de hoje para manter a sustentabilidade previdenciária e o crescimento econômico a longo prazo.

Para enfrentar essa crise silenciosa, especialistas apontam a necessidade de mudanças urgentes. É fundamental que o governo evolua na forma de medir a qualidade do emprego, que as empresas repensem a eliminação de cargos de base e que o sistema educacional priorize o desenvolvimento de habilidades humanas que a IA não consegue replicar, como julgamento contextual e negociação, ainda durante o ensino médio.

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