Entenda por que marketing e reputação devem atuar em conjunto. Saiba como a credibilidade é o fator que sustenta o sucesso das empresas no mercado.
A disputa entre as áreas de marketing e comunicação institucional é um dilema comum no mundo corporativo. Muitas empresas questionam se essas frentes são rivais ou aliadas, frequentemente tratando-as como concorrentes por orçamento ou atenção. No entanto, a jornalista e especialista Francine Ferreira defende que essa divisão é artificial, já que ambos operam em esferas diferentes da mesma decisão comercial.
O marketing atua na aceleração da atenção e na criação de demanda, sendo responsável por tornar a marca vista e lembrada. Por outro lado, a reputação – que engloba a narrativa pública, o relacionamento com a mídia e a coerência do porta-voz – atua reduzindo as dúvidas dos clientes. Em última análise, enquanto o marketing coloca a empresa na conversa, é a reputação que garante que essa conversa termine em um negócio fechado.
A importância dos intangíveis no valuation
O cenário econômico atual, marcado por uma economia de intangíveis, torna a confiança um pilar estratégico. De acordo com o estudo da Ocean Tomo, aproximadamente 92% do valor de mercado das empresas do S&P 500 é composto por ativos intangíveis. Isso significa que a credibilidade deixou de ser apenas um tema de comunicação e passou a ser um elemento central no valuation das organizações.
Reforçando essa tese, o relatório Edelman Trust Barometer 2025 aponta que a confiança do consumidor pesa tanto quanto o preço e a qualidade na decisão de compra. Portanto, a reputação não é apenas consequência de um bom produto, mas um critério competitivo fundamental. Quando uma marca falha em construir essa base, ela acaba vendendo sob suspeita, o que eleva os custos de convencimento e negociação.
O custo do silêncio e o valor do endosso
Construir capital de confiança antes de uma crise é, segundo a análise da Oxford Metrica e da PwC, uma medida de sobrevivência. A perda de valor de mercado após episódios críticos é significativa e, em tempos de viralização instantânea, o improviso é um risco constante. A estratégia de longo prazo, que envolve artigos de liderança, presença qualificada e um histórico público consistente, cria uma base sólida que protege a marca contra ruídos.
Ao final, a conclusão de Francine Ferreira é clara: o marketing vende a promessa e a reputação entrega a prova. Tentar escalar promessas sem a devida comprovação torna a máquina de performance cara e frágil. Para líderes que buscam sucesso sustentável, a pergunta correta não é sobre concorrência entre áreas, mas sobre a consistência do histórico construído pela marca. Afinal, visibilidade sem credibilidade é apenas barulho.



