Estudo da Brasscom e Instituto PROA revela que 58% dos jovens apostam na IA, apesar das barreiras de acesso ao mercado de trabalho.
Um novo estudo intitulado “Escuta Jovem: Juventudes, Trabalho e Tecnologia”, fruto de uma parceria entre a Brasscom e o Instituto PROA, lança luz sobre os desafios e expectativas da nova geração para ingressar no setor de tecnologia no Brasil. O levantamento destaca um paradoxo: enquanto 58% dos entrevistados enxergam a Inteligência Artificial como uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento profissional, o acesso ao primeiro emprego ainda enfrenta obstáculos estruturais significativos.
Tecnologia como motor de oportunidades
O setor de TIC mantém uma trajetória de crescimento robusta, tendo alcançado uma produção de R$ 393,3 bilhões em 2024. Com salários que superam a média nacional em 2,3 vezes, a área é um destino desejado pelos jovens. A pesquisa aponta que 59% demonstram interesse em atuar no segmento, e a grande maioria já buscou cursos de preparação. Contudo, a dificuldade em conseguir a primeira entrevista ainda é o maior gargalo, citado por 54% dos jovens.
“Mais do que reconhecer sua importância, é necessário rever práticas, desde os processos seletivos até a gestão no dia a dia, para que não se tornem fontes adicionais de ansiedade”, afirma Alini Dal’Magro, CEO do Instituto PROA.
Desafios emocionais e estruturais
A saúde mental emergiu como um fator decisivo para a permanência dos profissionais no mercado. Para 71% dos participantes, critérios como acolhimento e respeito são fundamentais. Além da pressão por performance, barreiras financeiras agravam o cenário: 69% dos jovens pertencem a famílias com renda de até dois salários mínimos, o que limita o acesso a ferramentas essenciais, como computadores de alta performance e conexão de qualidade.
Sobre o futuro, a diretora de Parcerias e Projetos da Brasscom, Roberta Piozzi, reforça a necessidade de mudanças. “Nosso trabalho busca construir pontes efetivas para que esse interesse se transforme em oportunidades reais. É fundamental que o mercado de TI acolha e retenha esses novos talentos, superando barreiras como a falta de experiência formal”, conclui a executiva.



