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Ilustração futurista de um escritório onde um robô humanoide prateado, vestindo camisa e gravata, opera um computador em uma mesa de madeira. Atrás dele, um jovem profissional humano observa a cena com expressão pensativa e a mão no queixo. No canto superior esquerdo, o selo 'REPOSICIONAMENTO PROFISSIONAL' em branco; no inferior direito, o logotipo do portal Reconhecida com o @ReconhecidaBR.

Jovens conseguem emprego mas ocupam vagas ameaçadas pela inteligência artificial

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[Campinas] O mercado de trabalho celebra a queda do desemprego entre jovens, mas alerta: muitas dessas vagas de baixa complexidade correm risco de automação.

Enquanto o mercado de trabalho nacional comemora a queda histórica nos índices de desemprego entre os jovens, especialistas apontam para uma armadilha estrutural silenciosa: a grande maioria dos recém-contratados está ocupando cargos de baixa complexidade, justamente as funções que a inteligência artificial tem maior potencial para automatizar em um futuro próximo.

Dados recentes do Ministério do Trabalho e Emprego indicam que 7,7 milhões de jovens, na faixa etária entre 18 e 29 anos, possuem carteira assinada. Contudo, metade dessa força de trabalho está concentrada em apenas 15 ocupações específicas. Para Virgilio Marques dos Santos, sócio-fundador da FM2S e PhD em Engenharia pela Unicamp, esses números focam apenas na quantidade e não na sustentabilidade das carreiras.

“O jovem consegue o emprego, mas entra em um beco sem saída”, observa o especialista. A preocupação é corroborada por dados da FGV IBRE, que mostram que o rendimento dessa população é 37,8% inferior ao dos adultos entre 30 e 59 anos. O dado alarmante revela que 67,1% dos jovens recebem abaixo da média nacional de R$ 1.854, refletindo uma geração de valor reduzida logo no início da trajetória profissional.

O impacto da automação no nível júnior

O cenário torna-se ainda mais desafiador com o avanço tecnológico. Segundo um mapeamento da Revelio Labs, as vagas de nível júnior nos EUA registraram uma queda de 35% desde janeiro de 2023. O fenômeno ocorre porque tarefas previsíveis e repetitivas são as primeiras a serem absorvidas por algoritmos.

“Se seu primeiro emprego exige que você atue como um robô, seguindo um roteiro fixo e sem autonomia para resolver problemas, você está competindo diretamente com um software que não dorme, não tira férias e não erra no processo”, explica Santos. Para o gestor, o segredo para a sobrevivência no mercado não é competir com a máquina, mas aprender a operá-la.

Estratégias de reposicionamento profissional

O especialista elenca quatro pilares fundamentais para que o profissional jovem não seja substituído pela automação:

1. Fuja da repetição: O valor do profissional reside em saber como agir quando um processo padrão falha. A exceção é onde a inteligência humana supera o algoritmo.

2. Entenda o sistema: Profissionais que compreendem o fluxo de trabalho de ponta a ponta tornam-se os arquitetos das automações, e não as suas vítimas.

3. Domine a arte das perguntas: A IA é eficiente em fornecer respostas, mas o humano é quem deve definir os problemas. Saber fazer as perguntas certas é a competência do futuro.

4. Atue como piloto da IA: Utilize ferramentas de inteligência para gerar eficiência e dedique seu tempo à interpretação estratégica dos dados, elevando o nível de entrega para o negócio.

Por fim, Santos ressalta que o primeiro emprego não deve ser o fim da linha. “Use-o como um laboratório de aprendizado. Observe os gargalos, estude os processos da sua empresa e posicione-se como o colaborador que traz soluções e gera eficiência real”, conclui.

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