[São Paulo] Especialista aponta desafios estruturais e a necessidade de diálogo entre governo e setor privado para o avanço dos data centers no Brasil.
O crescimento acelerado de tecnologias fundamentais, como a inteligência artificial e o cloud computing, colocou os data centers em uma posição de destaque estratégico na economia global e brasileira. No entanto, o ritmo da demanda traz à tona um questionamento central: o Brasil está verdadeiramente preparado para sustentar essa expansão de infraestrutura digital?
A reflexão é proposta por Eduardo de Alcantara Machado, organizador do 1º Fórum Brasileiro de Data Centers. Segundo o especialista, o país possui vantagens competitivas naturais, incluindo uma robusta matriz energética baseada em fontes renováveis e um mercado consumidor expressivo, o que tem atraído o interesse de investidores internacionais.
Desafios estruturais para o setor
Apesar do potencial, a realidade operacional enfrenta gargalos significativos. De acordo com o artigo de Eduardo de Alcantara Machado, a expansão do setor encontra limitações em pilares críticos, como a disponibilidade de energia, a previsibilidade regulatória e a agilidade nos processos de licenciamento. Para o setor, o desafio não é apenas técnico, mas institucional.
A coordenação com o poder público é apontada como a chave para viabilizar esse crescimento. A falta de espaços estruturados de diálogo entre os operadores de infraestrutura digital e os formuladores de políticas públicas tem dificultado a criação de um ambiente mais seguro para o investimento de longo prazo.
Fórum busca soluções para o ecossistema
Para aprofundar esse debate, o 1º Fórum Brasileiro de Data Centers, organizado pelo IRICE, acontece no dia 23 de junho em São Paulo. O evento visa reunir governo, investidores e especialistas para discutir os caminhos da infraestrutura digital no país.
O futuro do setor, conforme avalia Machado, dependerá da capacidade de transformar potencial em execução prática. O avanço tecnológico, por si só, é insuficiente sem um alinhamento claro entre a infraestrutura de suporte e uma visão estratégica de Estado que garanta a competitividade do Brasil na economia digital mundial.



