O avanço do crédito digital exige agilidade e segurança. Bancos recorrem à automação e inteligência artificial para gerir fluxos de dados complexos.
A contratação de crédito pelo celular tornou-se uma prática comum no cotidiano dos brasileiros, consolidando uma mudança estrutural no setor financeiro. Segundo a Pesquisa FEBRABAN de Tecnologia Bancária 2025, conduzida pela Deloitte, impressionantes 91% das contratações de crédito no país são realizadas por canais digitais, com o mobile concentrando 75% de todas as transações.
Esse deslocamento massivo do atendimento presencial para as telas exige uma reestruturação profunda em como as instituições processam, validam e armazenam documentos. Com o avanço do Open Finance e novas exigências do Banco Central sobre rastreabilidade e segurança cibernética, a automação da gestão documental deixou de ser uma opção para se tornar uma prioridade estratégica.
Impacto do Open Finance e automação
O Open Finance brasileiro já conecta mais de 100 milhões de clientes, gerando 5 bilhões de chamadas de API por semana. Esse ecossistema transforma arquivos tradicionais, como extratos e comprovantes, em dados estruturados, permitindo que a análise de crédito seja mais precisa e rápida. Dados da FEBRABAN indicam que a análise baseada nessas informações compartilhadas pode elevar a taxa de aprovação em até 30%.
Entretanto, a velocidade exigida pela esteira digital cria desafios operacionais. Processos manuais de conferência de documentos tornaram-se gargalos incompatíveis com a experiência fluida desejada pelos usuários. Para enfrentar esse cenário, as instituições financeiras projetaram um orçamento tecnológico de R$ 47,8 bilhões para 2025, focando em investimentos robustos em Inteligência Artificial (IA), nuvem e segurança.
Segurança e exigências regulatórias
O avanço tecnológico caminha lado a lado com a necessidade de proteção. Com os prejuízos do setor bancário por fraudes atingindo R$ 10,1 bilhões em 2024, a regulação tornou-se ainda mais rigorosa. Normas como a Resolução CMN 5.274/2025 impõem controles rígidos de segurança cibernética, exigindo criptografia e trilhas de auditoria detalhadas.
Para atender a esse volume de dados e exigências legais, o uso de sistemas de IA para validação de identidade e gestão eletrônica de documentos tornou-se essencial. Segundo especialistas, essas tecnologias permitem que contratos sejam gerados, assinados e armazenados com total conformidade e sem intervenção humana, resultando em uma redução de custos operacionais estimada em até 50%.



