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Close-up das mãos de um agricultor usando luva de couro marrom, aplicando fertilizantes granulados diretamente sobre uma muda de alface em uma horta. Ao fundo, o campo verde sob a luz do sol. No canto superior esquerdo, o selo 'FERTILIZANTES' em fundo branco e, no inferior direito, o logotipo do portal Reconhecida com o @ReconhecidaBR.

Bioinsumos: Paraná desenvolve soluções para reduzir dependência brasileira de fertilizantes importados

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[Paraná] Projetos do ISI Eletroquímica usam resíduos agroindustriais e microrganismos para criar alternativas sustentáveis aos fertilizantes importados, fortalecendo a bioeconomia e a competitividade do setor.

O Instituto Senai de Inovação em Eletroquímica (ISI-EQ), localizado no Paraná, está na vanguarda do desenvolvimento de bioinsumos, uma frente de pesquisa promissora que visa reduzir a expressiva dependência do Brasil por fertilizantes importados, que ultrapassa 80%, especialmente nas fontes de potássio e fósforo. A iniciativa busca transformar resíduos agroindustriais e o potencial ainda subexplorado da biomassa em soluções inovadoras e sustentáveis para o campo.

Esta proposta representa uma mudança de paradigma na agricultura, focando na valorização de recursos internos do país, como a vasta disponibilidade de biomassa e os coprodutos gerados pelo agronegócio. O pesquisador Mauricio de Matos destaca que a criação desta frente de pesquisa nasceu da união entre a oportunidade de aproveitar os recursos brasileiros e a necessidade de suprir a demanda por fertilizantes. “O Brasil tem enorme disponibilidade de biomassa, mas ainda depende fortemente da importação de fertilizantes”, afirma Matos, que acrescenta: “o objetivo é transformar resíduos em produtos de alto valor agregado, conectando bioeconomia, competitividade industrial e sustentabilidade.”

Demandas do Setor Produtivo Atendidas

A estratégia do ISI-EQ está alinhada às demandas concretas do setor produtivo: a necessidade de reduzir custos operacionais, mitigar os riscos associados à dependência de insumos externos e, concomitantemente, aumentar a eficiência no uso de nutrientes pelas culturas. Para alcançar esses objetivos, os projetos em andamento no ISI-EQ exploram rotas tecnológicas inovadoras, incluindo o emprego de microrganismos com a capacidade de disponibilizar nutrientes a partir de fontes minerais de baixa solubilidade. Paralelamente, o reaproveitamento de resíduos agroindustriais é fundamental como matéria-prima.

As linhas de pesquisa englobam o desenvolvimento de fertilizantes de liberação lenta e controlada, além de processos fermentativos e a utilização de enzimas, bactérias e fungos para a produção de biofertilizantes, inoculantes e biostimulantes. Atualmente, essas tecnologias encontram-se em estágios iniciais de maturidade, variando entre TRL 2 e 4, mas com um potencial de evolução acelerada. “Não basta identificar microrganismos com potencial agronômico. É necessário desenhar processos robustos para produção, estabilização e aplicação”, enfatiza Matos. Nesse sentido, a sinergia entre biologia, química avançada e engenharia de processos é crucial para aprimorar a eficiência agronômica e minimizar perdas por volatilização e lixiviação.

Economia Circular como Pilar Estratégico

Um dos pilares centrais desta iniciativa é a adoção dos princípios da economia circular. O aproveitamento de resíduos oriundos de cadeias produtivas importantes, como as de grãos, cana-de-açúcar e biomassa florestal, já demonstra uma viabilidade técnica notável. Estudos recentes indicam que esses materiais podem ser transformados, por meio de rotas biotecnológicas, em insumos agrícolas de alta performance. Matos ressalta a importância dessa transformação: “Os resultados mostram que resíduos podem deixar de ser um custo e passar a ser um ativo estratégico para a indústria.”

Os benefícios não se limitam à esfera ambiental; os impactos econômicos são igualmente significativos. O emprego de bioinsumos tem o potencial de diminuir a necessidade de fertilizantes convencionais, resultando em uma redução dos custos operacionais e um aumento na produtividade agrícola. Simultaneamente, essas práticas promovem um avanço em direção a uma agricultura mais sustentável, em consonância com agendas globais como a agricultura regenerativa e de baixo carbono. “A substituição parcial de fertilizantes químicos por bioinsumos melhora a saúde do solo e aumenta a eficiência do uso de nutrientes, além de contribuir para a redução de emissões”, pontua o pesquisador.

Rede de Colaboração e Projetos Estratégicos

Esta atuação se insere em um projeto mais amplo da plataforma Agenda.Tech, com cofinanciamento do Senai Nacional. O projeto tem como foco o mapeamento e o desenvolvimento de rotas tecnológicas estratégicas voltadas para a bioeconomia. A iniciativa articula uma extensa rede de parceiros, reunindo empresas como Fertsan, Agros Nutrition, Microcapsules Technology, Nutrientes e Intercroma. Instituições de pesquisa de renome, como a Embrapa e a UFPR, além do Observatório Sistema Fiep, também integram essa colaboração. Outros Institutos Senai de Inovação e Tecnologia complementam o arranjo, incluindo o ISI Biossintéticos e Fibras (SENAI-RJ), ISI Tecnologias Minerais (SENAI-PA), Instituto Senai de Tecnologia em Alimentos e Bebidas (SENAI-GO), Instituto Senai de Tecnologia em Meio Ambiente e Química (SENAI-PR) e Instituto Senai de Tecnologia em Celulose e Papel (SENAI-PR). Essa articulação consolida um modelo colaborativo que une pesquisa aplicada, inteligência de mercado e as demandas reais da indústria.

Desafios e Oportunidades Futuras

Apesar do grande potencial, o avanço dos bioinsumos ainda enfrenta obstáculos que precisam ser superados. Entre eles, destacam-se a necessidade de escalabilidade dos bioprocessos para atender à demanda em larga escala, a garantia da estabilidade dos produtos biológicos durante o armazenamento e aplicação, e a consolidação de um ambiente regulatório claro e favorável. “Existe também o desafio de adoção pelo mercado, que depende de validação em campo e da confiança do produtor”, ressalta Matos.

Olhando para o futuro, o crescimento dos bioinsumos é uma tendência global inegável, impulsionada tanto por crescentes exigências ambientais quanto pela constante inovação tecnológica. Nesse contexto, o Brasil detém uma oportunidade única de assumir um papel de liderança. “A ideia é não apenas acompanhar essas tendências, mas posicionar o país como referência na bioeconomia”, conclui o pesquisador.

Categorias: Economia, Agronegócio, Meio-Ambiente

Tags: bioinsumos, fertilizantes, agronegócio, sustentabilidade, economia circular, Senai Paraná, ISI Eletroquímica

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