O uso de inteligência artificial para simular a voz e a imagem de gestores em golpes preocupa o ambiente corporativo e exige atenção redobrada.
A sofisticação dos ataques cibernéticos atingiu um novo patamar com o crescimento das deepfakes corporativas. Esse método, que utiliza inteligência artificial para clonar a imagem e a voz de executivos, tem sido empregado para realizar fraudes financeiras complexas, onde criminosos se passam por lideranças para autorizar transferências imediatas de altos valores.
Segundo dados da Europol, até 30% das fraudes empresariais já envolvem identidades sintéticas. Um caso emblemático ocorreu em março de 2026, quando uma multinacional europeia foi vítima de um prejuízo de € 25 milhões após uma videochamada falsa com um suposto CEO.
Para José Miguel, gerente de pré-vendas da Unentel, o sucesso desse golpe está na exploração do cotidiano operacional. “Esse tipo de abordagem funciona porque se encaixa na rotina. É uma demanda plausível, com alguém conhecido e um nível de urgência que faz sentido dentro da operação”, destaca o especialista.
O Verizon Data Breach Investigations Report 2025 corrobora essa visão, apontando que a interação humana continua sendo o elo mais frágil. Quando um pedido combina familiaridade e pressão, a tendência natural das equipes é acelerar o processo, ignorando protocolos básicos de verificação.
Especialistas recomendam que empresas fortaleçam suas políticas de segurança, evitando aprovações financeiras baseadas em um único canal de comunicação. A implementação de fluxos que exigem uma segunda validação em meios distintos e a formalização de pedidos que fogem ao padrão são barreiras eficazes contra a manipulação por inteligência artificial.



