[São Paulo] Estudo da ABRH aponta que a tecnologia exige o retorno das relações humanas como diferencial competitivo dentro das organizações.
A rápida adoção da inteligência artificial no ambiente corporativo está reposicionando o departamento de Recursos Humanos como o protagonista das decisões estratégicas das empresas. Essa é a principal conclusão do relatório HR Futures Intelligence, elaborado pela ABRH Brasil a partir de estudos realizados durante o SXSW 2026, um dos maiores eventos de inovação do mundo.
O documento projeta uma mudança drástica na estrutura das companhias até 2030. A expectativa é que a força de trabalho seja composta por 40% de profissionais em tempo integral, 40% em modelos flexíveis e 20% de tarefas executadas por processos automatizados pela IA.
Tecnologia e liderança humana
Segundo Vitor Igdal, presidente da ABRH Bahia e idealizador do estudo, o sucesso na implementação da tecnologia depende da integração entre a inteligência das máquinas e a competência humana. “A nossa tese é que os 5% que conseguem gerar valor não tratam IA como projeto exclusivo de tecnologia: têm o líder de RH correalizando a implementação”, afirma.
A presidente da ABRH Brasil, Leyla Nascimento, reforça que o grande desafio atual não é competir com as ferramentas digitais, mas sim manter o discernimento e a confiança nas relações. Ela alerta que, quanto mais avançada for a tecnologia, mais valiosas se tornam competências como criatividade, liderança, julgamento e capacidade de comunicação.
Desafios e o valor do pertencimento
O relatório aponta sete pressões futuras, entre elas a necessidade de um redesenho das funções e o combate à perda de atenção qualificada. O estudo cita dados alarmantes: desenvolvedores juniores que dependem excessivamente de IA apresentaram uma redução superior a 17% na compreensão das tarefas que realizam. Esse dado deve forçar uma revisão profunda em áreas como atendimento, backoffice e operações analíticas.
Curiosamente, o avanço digital trouxe à tona uma busca maior por conexões reais. Dados do estudo revelam que, embora 49% da Geração Z já possua laços significativos com IAs, cresce no mercado a demanda por ambientes de trabalho que ofereçam senso de comunidade e pertencimento. O RH, portanto, passa a ser o arquiteto de culturas corporativas mais saudáveis, garantindo que o futuro do trabalho seja tecnológico, mas fundamentalmente humano.



