Dados do IPC Maps revelam que mais da metade dos municípios brasileiros não têm livraria, evidenciando desigualdades no acesso à cultura e literatura.
Em celebração ao Dia Nacional do Livro, comemorado anualmente em 29 de outubro, um novo levantamento do IPC Maps traz um panorama preocupante sobre o acesso à leitura no Brasil. A pesquisa aponta que, dos 5.571 municípios existentes no território nacional, apenas 2.022 contam com comércios varejistas de livros, deixando 3.549 cidades sem acesso físico direto a este tipo de estabelecimento cultural.
Panorama regional e desigualdade no acesso
O cenário revela disparidades marcantes entre as regiões. O Norte do país apresenta a situação mais crítica, com apenas 940 comércios do segmento. Municípios com mais de 50 mil habitantes, como Moju, Alenquer e Viseu (PA), além de Iranduba e São Gabriel da Cachoeira (AM), enfrentam a ausência total de livrarias. No Centro-Oeste, o quadro é semelhante, com destaque para a falta de estabelecimentos em cidades como Sidrolândia (MS).
O Nordeste, que abriga 3.838 lojas, também registra vazios importantes em cidades de porte relevante, a exemplo de Casa Nova e Euclides da Cunha (BA), Bezerros (PE), Tauá (CE), Marechal Deodoro (AL) e Coroatá (MA). Por outro lado, o Sudeste destaca-se positivamente, possuindo quase 11 mil livrarias e mantendo presença do setor em todos os municípios com mais de 50 mil habitantes.
Crescimento do setor em 2026
Apesar das lacunas geográficas, o setor apresentou resiliência. Dados consolidados de 2026 indicam que o comércio varejista de livros registrou um crescimento de 9,2% em comparação ao ano anterior, atingindo a marca de 21.647 unidades em todo o território nacional. O estudo, realizado pela IPC Marketing Editora, utiliza metodologias de geoprocessamento para detalhar o potencial de consumo e a presença de estabelecimentos comerciais, funcionando como uma ferramenta estratégica para entender a oferta cultural em diferentes regiões do país.



