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Uma mulher e um homem indígenas sorridentes, de pé ao ar livre, seguram exemplares do livro "O Mundo dos Insetos Aquáticos". A mulher veste camiseta cinza e o homem veste camiseta preta com um colar de contas coloridas. Ao fundo, uma vegetação verde. No topo esquerdo, destaca-se o texto "UFSCar" e, no canto inferior direito, o logotipo clássico do portal Reconhecida com a assinatura @ReconhecidaBR.

Projeto da UFSCar traduz livro sobre insetos para línguas indígenas da Amazônia

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[São Carlos] Iniciativa da UFSCar promove a tradução de livro científico para idiomas Baniwa e Tariana, valorizando a cultura local.

A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) iniciou um importante trabalho acadêmico e cultural que visa promover a divulgação científica e a valorização das tradições ancestrais. O projeto consiste na tradução do livro paradidático O Mundo dos Insetos Aquáticos para as línguas indígenas Baniwa e Tariana. A iniciativa é coordenada pela professora Livia Maria Fusari, do Departamento de Hidrobiologia da instituição, e conta com uma equipe multidisciplinar empenhada em integrar saberes acadêmicos aos conhecimentos tradicionais das comunidades amazônicas.

Integração entre ciência e saberes tradicionais

O trabalho está vinculado ao Programa Iniciativa Amazônia+10, sob o título “AquaInvert-Amazônia: integrando ciência e saberes locais para conhecer a biodiversidade de invertebrados aquáticos em áreas de altitude da Amazônia”. O projeto, que conta com financiamento da Fapesp (Processo: 2025/03819-8), envolve a participação ativa de estudantes de graduação como Jociel Vasconcelos, do curso de Gestão e Análise Ambiental, e Maria Lilane Olímpio Chaves, do curso de Letras.

“A tradução busca ampliar o acesso ao conhecimento científico para comunidades que têm essas línguas como referência cultural e linguística, fortalecendo a preservação dos idiomas indígenas”, destaca a professora Livia Fusari.

Um diferencial marcante da iniciativa é o seu caráter colaborativo. A tradução não será apenas uma transposição linguística, mas incluirá adaptações culturais dos termos científicos, realizadas diretamente com falantes nativos. O projeto prevê, ainda, uma série de visitas às comunidades, rodas de conversa e o registro de memórias bioculturais, garantindo que o material seja um reflexo autêntico da realidade dessas populações.

Ampliação do conhecimento e preservação linguística

A ideia da tradução surgiu a partir de pesquisas sobre a biodiversidade de invertebrados amazônicos. O livro O Mundo dos Insetos Aquáticos já possui edições anteriores em outras línguas indígenas, como Apurinã, Paumari e Tukano. A inclusão do Baniwa e Tariana reafirma o compromisso da universidade em democratizar a informação.

O cronograma da equipe prevê que o trabalho de tradução ocorra entre agosto de 2026 e fevereiro de 2027. Serão produzidas versões tanto impressas quanto digitais do material, que serão distribuídas prioritariamente em escolas e comunidades indígenas do estado do Amazonas. No entanto, o impacto da iniciativa não se limitará à região norte do país. A professora Livia aponta que os materiais também serão utilizados em atividades de divulgação científica em outros locais, incluindo São Carlos, no interior paulista, onde a equipe também atua.

Ao concluir, a docente ressalta que a principal contribuição desse esforço acadêmico é o fortalecimento da educação ambiental e o intercâmbio entre o rigor científico e o saber tradicional. Ao colocar a ciência em diálogo direto com as línguas indígenas, a UFSCar não apenas preserva idiomas, mas contribui para a construção de metodologias educacionais interculturais que respeitam a diversidade cultural brasileira e promovem a conservação da biodiversidade de forma consciente e integrada.

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