Embrapa expande uso de IA generativa para simular cenários e otimizar a produtividade no campo. Conheça as aplicações técnicas e o projeto SORaIA.
O setor produtivo brasileiro está presenciando uma mudança de patamar na agricultura digital. Quatorze unidades de pesquisa da Embrapa estão mobilizadas para validar o uso de Inteligência Artificial (IA) generativa, tecnologia que vai além da análise de dados históricos para criar modelos prescritivos adaptados às demandas reais do campo. O objetivo é oferecer suporte estratégico para a tomada de decisão, garantindo escalabilidade e inovação nos sistemas agroalimentares.
O salto técnico: IA Preditiva vs. IA Generativa Enquanto a IA Preditiva — já consolidada na Embrapa — utiliza aprendizado de máquina e modelos estatísticos para inferir tendências e estimar ocorrências futuras , a IA Generativa foca na criação de conteúdos e soluções inéditas. Ela aprende a lógica interna dos dados para produzir simulações de cenários de clima, produtividade e manejo que ainda não foram vivenciados, integrando variáveis complexas de solo, clima e genética.
Aplicações técnicas de alto impacto:
- Manejo de Solos: Pesquisas já utilizam a combinação de laser e inteligência artificial para estimar, em uma única análise, a densidade do solo e o teor de carbono.
- Sanidade Vegetal: A tecnologia é aplicada na detecção precoce de doenças, como a ferrugem asiática da soja, cujo combate consome mais de US$ 2 bilhões por safra. A IA simula cenários de infestação para orientar o controle preventivo.
- Zonamento e Métricas: Avanços no zoneamento climático e na identificação de estresse hídrico em grãos e pastagens nativas.
- Pecuária Sustentável: Uso de IA no sistema FPS (Fazenda Pantaneira Sustentável) para avaliar e certificar a sustentabilidade da atividade pecuária.
Projetos Estratégicos: SORaIA e Semear Digital A liderança dessas iniciativas está concentrada no projeto SORaIA (Soluções Recomendativas e Generativas baseadas em IA), que busca aumentar a eficiência e a resiliência produtiva por meio de acervos de dados estruturados. Paralelamente, o projeto Semear Digital foca na inclusão socioprodutiva, levando conectividade e automação para dez municípios brasileiros (Distritos Agrotecnológicos), abrangendo 15 cadeias produtivas.
Um exemplo prático dessa automação é o robô SEEmear, que realiza o imageamento georreferenciado para a contagem automatizada de frutos em pomares, reduzindo a penosidade do trabalho e suprindo a escassez de mão de obra. Todas essas inovações são protegidas por uma estrutura de governança de dados e um marketplace de contexto para preservar o patrimônio intelectual soberano da instituição.



