Setor que pode representar cerca de 29% do PIB brasileiro amplia demanda por talentos híbridos, movimento que já impacta as estratégias de recrutamento.
O avanço da digitalização no campo está redesenhando o perfil profissional demandado pelo agronegócio brasileiro. Em um setor que pode representar cerca de 29,4% do PIB nacional em 2025 , cresce a busca por profissionais capazes de integrar conhecimento técnico em Ciências Agrárias com análise de dados, ESG, geotecnologias e leitura estratégica de mercado.
Embora o Brasil tenha ultrapassado 10 milhões de estudantes no ensino superior, as graduações em Ciências Agrárias ainda seguem atrás de cursos tradicionais em volume de matrículas. O setor passa por uma transformação estrutural que amplia a relevância dessa formação quando combinada a competências digitais.
Para Fernanda Guglielmi, Gerente de RH da Serasa Experian, o desafio vai além da contratação tradicional.
“O agro digital está exigindo um perfil que combina formação técnica sólida com domínio de dados e visão estratégica. O mercado ainda forma esses profissionais de maneira mais segmentada, então parte do nosso trabalho é complementar essa formação internamente”, afirma.
O profissional híbrido ganha espaço A tecnologia de geoprocessamento, que utiliza imagens de satélite e análise espacial, apoia decisões de crédito, planejamento e avaliação de riscos, além de monitorar critérios socioambientais. Profissionais formados em Agronomia vêm ampliando seu espaço em áreas que combinam inteligência de dados.
Um exemplo é Gabriel Ferro, Analista de Geoprocessamento, que aplica a visão sistêmica da agronomia para interpretar imagens e organizar dados estratégicos. “Entender o campo contribui diretamente para a consistência dos dados finais”, explica.
Mercado em transformação A integração entre produção e tecnologia já impacta as estratégias de recrutamento. O relatório “Empregos em Alta 2026”, do LinkedIn, aponta cargos ligados à ciência agrária e análise de dados entre os que mais cresceram no Brasil. Tecnologias como sensores conectados, drones e imagens de satélite já fazem parte da rotina produtiva e do crédito rural.



