Brasil ultrapassa marca histórica de 20 gigawatts em grandes usinas solares, mas setor alerta para prejuízos causados por restrições de geração sem ressarcimento.
O Brasil atingiu um marco histórico no setor energético ao ultrapassar a marca de 20 gigawatts (GW) de potência operacional em grandes usinas solares. De acordo com dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), o segmento já atraiu mais de R$ 87,7 bilhões em investimentos desde 2012, gerando aproximadamente 601 mil empregos verdes e arrecadando R$ 29 bilhões para os cofres públicos.
Apesar do crescimento robusto, o setor enfrenta desafios que podem comprometer a velocidade da transição energética no país. O principal entrave apontado pela entidade são os cortes de geração renovável — conhecidos tecnicamente como curtailment — realizados sem o devido ressarcimento financeiro aos empreendedores.
Gargalos e Infraestrutura
Para a ABSOLAR, esses cortes demonstram a urgência de modernizar o planejamento do setor elétrico brasileiro. O CEO da entidade, Rodrigo Sauaia, destaca que é fundamental acelerar os investimentos em linhas de transmissão e em novas tecnologias de armazenamento de energia, como as baterias.
“Ao combinar a geração fotovoltaica com baterias, o País terá ganhos importantes no suprimento e na segurança de operação do sistema elétrico”, afirma Sauaia. Essa integração é vista como essencial especialmente em períodos de calor intenso e baixa nos reservatórios hidrelétricos, quando a demanda por energia aumenta significativamente.
Panorama Regional
Atualmente, as grandes usinas solares estão presentes em todos os estados brasileiros. A região Nordeste lidera o ranking nacional com 52% da potência instalada, seguida de perto pelo Sudeste, que detém 46,8% da representatividade no setor. O presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR, Ronaldo Koloszuk, reforça que a energia solar é uma tendência global que impulsiona a descarbonização e atende a novas demandas tecnológicas, como inteligência artificial, datacenters e a produção de hidrogênio verde. Segundo ele, o Brasil possui um dos melhores recursos solares do mundo, o que o posiciona para ser um hub global de energia limpa.



