Pesquisa revela que a maternidade impacta a rotina e os desafios da vida amorosa, exigindo adaptação e nova divisão de tarefas.
O nascimento de um filho representa uma das transformações mais profundas na trajetória de um casal. Embora o evento seja frequentemente associado à felicidade plena, ele traz consigo alterações significativas na dinâmica do cotidiano e no espaço dedicado ao relacionamento a dois. Uma nova pesquisa, intitulada Mulher e Agora Mãe – Volume II, conduzida pelo CineMaterna em parceria com a NOZ Inteligência, mergulhou nos sentimentos de 1.138 mulheres com filhos de até dois anos para entender como a chegada de um bebê redefine a parceria afetiva.
Impactos na dinâmica do relacionamento
Os dados coletados apontam que o impacto da maternidade nos relacionamentos amorosos é heterogêneo. Enquanto algumas famílias relatam um fortalecimento dos vínculos após a chegada dos filhos, outras enfrentam cenários de conflito e distanciamento decorrentes da sobrecarga e das novas exigências diárias. Entre as entrevistadas com parceiro(a), 45% observaram mudanças que ocorreram de forma equilibrada, mantendo a estabilidade da relação. Contudo, 22% das mães sentiram que a conexão entre o casal se intensificou, enquanto 33% relataram ter passado por períodos de maior conflito ou distanciamento.
A maternidade costuma transformar profundamente a dinâmica da família. O relacionamento não necessariamente piora, mas passa por um período intenso de adaptação. Os casais precisam aprender a se relacionar dentro de uma nova realidade, em que tempo, energia e prioridades mudam significativamente, destaca Juliana Vanin, fundadora da NOZ Inteligência.
A escassez de tempo e a sobrecarga
Um dos pontos críticos revelados pelo estudo é a dificuldade de conciliação entre a maternidade e as diversas dimensões da vida adulta. O levantamento indica que 65% das mães raramente ou nunca dispõem de tempo exclusivo para si mesmas, o que impacta diretamente o autocuidado e os momentos de lazer a dois. Quando solicitadas a classificar a dificuldade de conciliar a maternidade com a vida amorosa em uma escala de zero a dez, as participantes atribuíram uma nota média de 6,5, confirmando que este é um dos principais obstáculos enfrentados pelas famílias contemporâneas.
Concentração de cuidados e novos acordos
O estudo também levanta uma questão estrutural importante: a divisão de responsabilidades. Aproximadamente 77% das mães relataram que a maior parte dos cuidados com os filhos recai sobre elas, assumindo a liderança na rotina doméstica e infantil. Essa concentração de tarefas reduz o tempo disponível para o descanso e a convivência, sendo um fator determinante no sentimento de exaustão relatado pelas participantes.
A busca pela identidade feminina
Além das mudanças na vida conjugal, o estudo aborda a transformação na própria identidade da mulher. Cerca de 56% das entrevistadas afirmam que sua identidade pessoal mudou drasticamente após a maternidade, e 61% admitem que ainda estão em um processo de compreensão sobre esses novos sentimentos. Para Mirian Rodrigues, presidente do CineMaterna, a maternidade inaugura uma nova fase existencial: “Quando nasce um bebê, nasce também uma nova mulher. É natural que existam transformações na forma como ela se vê, se relaciona e ocupa seu espaço no mundo. Reconhecer essas mudanças e criar espaços de acolhimento é fundamental para que a maternidade seja vivida de forma mais saudável.”
A pesquisa reforça que, independentemente do cenário vivido, a preservação da vida a dois exige esforço consciente para reconstruir expectativas e acordos, respeitando as transformações inevitáveis trazidas pela parentalidade. A conclusão do estudo convida os casais a enxergarem o momento não apenas como um desafio de gestão de tempo, mas como uma oportunidade de ressignificar a parceria diante das novas configurações familiares.



