Pesquisa Talent Trends 2026 mostra que 84% das empresas incentivam a inteligência artificial, elevando a produtividade e exigências no setor.
O novo cenário do setor tecnológico
O mercado de tecnologia global e brasileiro entra em uma nova fase de maturação. Após um longo período de crescimento acelerado e investimentos intensos, o setor começa a apresentar sinais de estabilidade, com o ritmo de contratações se ajustando a uma realidade mais estratégica. Dados do estudo Talent Trends 2026, realizado pela Michael Page com mais de 60 mil respondentes em 36 países, indicam que o comportamento dos profissionais tornou-se mais cauteloso e focado em resultados de longo prazo.
O levantamento aponta que o chamado novo normal da tecnologia combina estabilidade, uma exigência crescente por parte das empresas e a necessidade contínua de adaptação por parte dos colaboradores. Mesmo com salários competitivos, os profissionais brasileiros demonstram hoje maior critério em suas decisões de carreira.
A inteligência artificial como pilar de produtividade
Um dos pontos de maior destaque na pesquisa é a integração da Inteligência Artificial (IA) no dia a dia corporativo. De acordo com o estudo, 84% dos profissionais de tecnologia já utilizam a tecnologia GenAI em suas atividades, enquanto uma parcela equivalente de 84% das empresas incentiva ativamente esse uso. Os impactos são diretos e mensuráveis: 87% dos especialistas acreditam que a ferramenta aumenta a produtividade, e 69% afirmam que a IA já influencia suas escolhas e decisões de carreira.
O mercado de tecnologia deixou de ser movido apenas por crescimento acelerado e passou a exigir decisões mais consistentes. Hoje, o diferencial não está só na especialização técnica, mas na capacidade de se adaptar, ampliar repertório e gerar impacto real dentro das organizações, destaca Ricardo Basaglia, CEO da Michael Page Brasil.
Mudanças nas prioridades e desenvolvimento profissional
Com um mercado mais equilibrado, os profissionais estão redefinindo suas metas. Atualmente, 62% dos trabalhadores buscam desenvolver novas habilidades técnicas, enquanto 58% focam na expansão de competências por meio de treinamentos. A valorização do aprendizado contínuo supera a simples movimentação entre empresas, com 54% dos profissionais demonstrando interesse em projetos de maior complexidade e visibilidade.
O equilíbrio entre vida pessoal e profissional também ganhou relevância, com 37% dos entrevistados indicando a qualidade de vida como uma prioridade fundamental. A estrutura de carreira parece estar se consolidando internamente, onde 36% buscam assumir maiores responsabilidades e 35% desejam colaborar em iniciativas interdepartamentais.
Desafios estruturais para o futuro
Apesar da otimização trazida pela IA, o cenário não é uniforme. O estudo nota que, em determinadas funções, a tecnologia automatiza tarefas operacionais permitindo um foco maior em atividades estratégicas, enquanto em outras, ela eleva o ritmo de entrega. Isso exige que o diferencial do profissional não seja apenas a especialização técnica, mas a versatilidade. Para as organizações, o desafio agora é criar ambientes que sustentem o engajamento e o crescimento sustentável de longo prazo, superando a escassez de talentos que ainda preocupa 57% dos gestores.



